Casamento Real (o nosso)

Em janeiro deste ano, comemoramos 10 anos de casados. Com alegria e gratidão, reunimos amigos e familiares queridos, em uma singela Eucaristia (Ação de Graças!), naquela mesma igreja paulistana, onde celebramos nosso compromisso de amor total e definitivo, em 12 de janeiro de 2008. Nossos 5 filhos ficaram muito contentes por conhecerem aquele lugar tão especial para nós dois, e por participarem dessa festa de aniversário da fundação da nossa família. Como dizia o nosso convite de casamento: “nos escolhemos… porque o Amor nos escolheu!” E seguimos experimentando a força desse Sacramento, renovando a nossa decisão e nos escolhendo a cada novo dia, confiando no Amor de Deus e amparados por Ele.

Por graça de Deus, nosso matrimônio experimenta uma grande fecundidade. Não somente biológica, mas também espiritual e afetiva, sendo um acontecimento importante também para a vida de quem acompanha a nossa história. Há 10 anos, estava ali um noivo ex-agnóstico que, pela primeira vez, fazia sua comunhão eucarística (graças à uma profunda experiência do Amor misericordioso de Deus, vivenciada 4 meses antes). Estava ali uma noiva que, por alguns anos, havia pensado em ser freira (por desejo de ofertar a vida, mas também por medo do casamento, devido a uma história familiar complicada), que agora dizia SIM à sua vocação, com coragem e confiança na Misericórdia de Deus. Estávamos os dois, cercados por centenas de amigos e familiares, experimentando gotas de Céu na terra. Foi tudo infinitamente mais bonito do que poderíamos sonhar… graças ao Amor providente de Deus, que se manifesta sempre, através de cada pessoa que Lhe abre espaço. Continue lendo “Casamento Real (o nosso)”

Maternidade Real

Nunca tive uma ideia muito romântica acerca da maternidade. Desde pequena, como tantas meninas, eu sonhava em ser mãe, mas intuía que a maternidade tinha sabor de sacrifício. O amor da minha mãe por mim, certamente, era uma inspiração: amor intenso e forte, na fragilidade da condição humana de uma mulher sem marido, e que, corajosamente, abriu mão da carreira profissional para se entregar à experiência da maternidade, amando a sua filha com todas as forças da sua existência. Ela conta que o sonho da vida dela era esse: ter alguém para amar sem medidas. Ao cuidar de mim e me educar, ela também crescia e se humanizava, até se tornar uma gigante na arte do sacrifício da vida cotidiana.

No meio desse caminho, ela encontrou um grande amor, aliás, encontrou o próprio Amor, e se descobriu amada incondicionalmente por Ele. Isso mudou tudo. Deu um novo sentido à sua história e à sua maternidade. A fez entender que o amor materno é um grande DOM que brota da fonte do Amor, aquele Amor que é fonte de todo amor verdadeiro. Ela entendeu que o amor nos é possível porque Ele nos amou primeiro. E passou a me educar nessa experiência de fé e confiança no Amor, que nos amou até às últimas consequências. Certa vez, ela me confessou que, embora me amasse tanto, o amor dela era limitado e imperfeito – como todo amor humano – e que só Deus me amava em plenitude. Eu, que era ainda criança, fiquei um tanto chocada com esse anúncio. Mas foi, sem dúvida, um anúncio libertador, uma boa nova que ainda hoje me ajuda a ordenar a vida.

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