{"id":140,"date":"2018-06-02T05:22:14","date_gmt":"2018-06-02T08:22:14","guid":{"rendered":"http:\/\/alegriadoamor.com\/?p=140"},"modified":"2018-06-02T05:22:14","modified_gmt":"2018-06-02T08:22:14","slug":"gravida-outra-vez-as-perguntas-mais-frequentes-sobre-a-minha-maternidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alegriadoamor.com\/index.php\/2018\/06\/02\/gravida-outra-vez-as-perguntas-mais-frequentes-sobre-a-minha-maternidade\/","title":{"rendered":"&#8220;Gr\u00e1vida outra vez??&#8221; As perguntas mais frequentes sobre a minha maternidade"},"content":{"rendered":"<p>Para al\u00e9m dos coment\u00e1rios, que sempre ouvimos, sobre nossa escolha de ter tantos filhos quanto pudermos (por exemplo: &#8220;Nossa! Que coragem!&#8221;, &#8220;Voc\u00eas levam mesmo a s\u00e9rio a B\u00edblia, hein!&#8221;, &#8220;Que loucura! Ter tantos filhos nos dias de hoje&#8230;&#8221; etc), existem v\u00e1rias perguntas que as pessoas me fazem sobre a minha maternidade, algumas mais, outras menos discretas. Resolvi escrever aqui algumas delas e compartilhar minhas respostas com quem possa se interessar:<\/p>\n<p><b>1. S\u00e3o todos seus? \/ S\u00e3o todos irm\u00e3os? \/ &#8220;\u00c9 tudo&#8221; do mesmo pai?<\/b><\/p>\n<p>Sim! Sim! Sim! Na verdade, n\u00e3o somente meus&#8230; s\u00e3o nossos! S\u00e3o o grande DOM do nosso matrim\u00f4nio. S\u00e3o frutos do nosso amor! Geramos juntos, no Amor, e criamos juntos, gra\u00e7as a Deus! Compartilhamos a vida, as responsabilidades, o cuidado, a educa\u00e7\u00e3o e a alegria por t\u00ea-los em nossas vidas. O amor compartilhado se multiplica! E essa \u00e9 a alegria do amor: transbordar para al\u00e9m de si e gerar vida e fraternidade!<\/p>\n<p><b>2. Foram todos planejados? \/ Voc\u00eas queriam tantos filhos? \/ Seu marido tamb\u00e9m queria?<\/b><\/p>\n<p>N\u00f3s escolhemos estar abertos \u00e0 vida e acolher quantos filhos Deus quiser nos confiar. Ali\u00e1s, prometemos isso publicamente, no altar. Antes de casar, t\u00ednhamos 4 nomes j\u00e1 escolhidos. Depois, escolhemos mais dois, e depois outro ainda. E eles foram vindo! E foi sempre uma grande alegria para n\u00f3s, mesmo em meio ao cansa\u00e7o e \u00e0s preocupa\u00e7\u00f5es, cada gesta\u00e7\u00e3o e cada nascimento foi celebrado, na certeza da Vontade de Deus se realizando em nossa fam\u00edlia. O nosso planejamento n\u00e3o \u00e9 o n\u00famero ou o espa\u00e7amento entre os filhos, mas a abertura e o acolhimento deles. Quando eu estava gr\u00e1vida do primeiro, sempre dizia &#8211; em tom de brincadeira, mas com grande desejo &#8211; que aquele era &#8220;o primeiro de uma multid\u00e3o de irm\u00e3os&#8221;! E parece que esse era tamb\u00e9m o desejo de Deus.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><b>3. E a\u00ed, &#8220;ligou&#8221;? (as trompas) \/ Agora parou, n\u00e9? \/ Voc\u00ea n\u00e3o usa\/n\u00e3o conhece anticoncepcional n\u00e3o? \/ Voc\u00eas n\u00e3o evitam?<\/b><\/p>\n<p>(Oi?!?!?) \u00c9 impressionante (e at\u00e9 um pouco assustador) a quantidade de vezes que ouvi essas perguntas&#8230; de pessoas pr\u00f3ximas ou distantes, e mesmo de desconhecidos. Principalmente, ap\u00f3s o nascimento da nossa menina, que \u00e9 a quarta e veio depois de tr\u00eas meninos. Mas, as primeiras vezes que me perguntaram, t\u00ednhamos apenas dois filhos! Por sinal, foi a primeira pergunta que ouvi de uma colega de trabalho ao retornar da segunda licen\u00e7a maternidade: &#8220;E a\u00ed, ligou?&#8221; Demorei um pouco para entender do que se tratava a pergunta&#8230; e quando compreendi, fiquei perplexa. Esse tipo de pergunta revela uma cultura e uma mentalidade que v\u00ea o filho e a fertilidade como um mal a ser combatido, e n\u00e3o como dom a ser acolhido. Infelizmente, j\u00e1 ouvi essas perguntas at\u00e9 mesmo de pessoas consagradas ao servi\u00e7o de Deus (e da humanidade). Lament\u00e1vel! Por in\u00fameras raz\u00f5es, de diversas ordens, eu n\u00e3o uso anticoncepcional. E todo o discernimento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 necessidade (ou n\u00e3o) de espa\u00e7ar uma poss\u00edvel gesta\u00e7\u00e3o \u00e9 realizado m\u00eas a m\u00eas, por n\u00f3s dois, que assumimos JUNTOS a responsabilidade por nossas decis\u00f5es e a\u00e7\u00f5es, buscando sempre a realiza\u00e7\u00e3o da vontade de Deus em nossa fam\u00edlia.<\/p>\n<p><b>4. &#8220;Foi tudo&#8221; parto natural?<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o. Bem ao contr\u00e1rio&#8230; Foram todos nascidos por ces\u00e1rea, infelizmente. Essa \u00e9 uma dor com a qual aprendi a conviver. Acredito que o parto natural seja a melhor escolha para o beb\u00ea e para a m\u00e3e. Desejei muito viver essa experi\u00eancia, e esperei muito por ela. Nosso primeiro filho nasceu com 42 semanas completas, porque t\u00ednhamos esperan\u00e7a de que seria poss\u00edvel o parto natural, mas n\u00e3o foi. Ele estava em sofrimento real e corria grande risco de morrer. Foi necess\u00e1ria uma ces\u00e1rea de urg\u00eancia. Gra\u00e7as a Deus e \u00e0 equipe m\u00e9dica, o menino se recuperou bem do seu Apgar 5. A minha m\u00e9dica (que \u00e9 defensora e amante do PN) me recomendou que eu esperasse 2 anos para o pr\u00f3ximo parto, que ent\u00e3o poderia ser natural. Mas dali 1 ano e 2 meses, estava nascendo nosso segundo filho, por outra ces\u00e1rea. E com outros espa\u00e7os bem curtos vieram o terceiro e a quarta. Somente para o quinto, demos um espa\u00e7o maior (3 anos). Mas, em tudo damos gra\u00e7as! Cremos e confiamos na Provid\u00eancia Divina, que cuida de n\u00f3s e nos conduz. Penso que tenha sido melhor assim, pois tenho problema circulat\u00f3rio grave. E, gra\u00e7as a Deus, segundo a minha m\u00e9dica, o meu \u00fatero est\u00e1 \u00f3timo! Podemos engravidar novamente e, parto a parto, o \u00fatero vai sendo avaliado. Se um dia tivermos recomenda\u00e7\u00e3o de n\u00e3o mais engravidar, queremos muito adotar algumas crian\u00e7as, se assim for da vontade de Deus.<\/p>\n<p><b>5. Tem algum g\u00eameo?<\/b><\/p>\n<p>&#8220;Ainda n\u00e3o! Mas, quem sabe na pr\u00f3xima?&#8221; \u00c9 o que eu sempre respondo, espontaneamente. Afinal, eu sempre achei que teria alguma gravidez gemelar, como algumas mulheres da minha fam\u00edlia&#8230; (sempre vou cheia de expectativa para a primeira ultra, ansiosa por saber quantos filhos trago no ventre! =)<\/p>\n<p><b>6. Ent\u00e3o voc\u00eas ainda querem mais??? \/ Quantos filhos voc\u00eas querem ter?<\/b><\/p>\n<p>Se eu disser que n\u00e3o quero mais filhos, estarei mentindo. Meu marido tamb\u00e9m se anima com a ideia de aumentar a fam\u00edlia. Queremos ter tantos filhos quanto pudermos amar e educar, sejam naturais e\/ou adotivos. Os nossos filhos tamb\u00e9m gostariam de ter mais irm\u00e3os&#8230; (eles sempre perguntam se j\u00e1 estou gr\u00e1vida, quando vai nascer a Teresa e a Cec\u00edlia, e se podemos adotar muitas crian\u00e7as =) Mas sabemos que isso n\u00e3o depende somente do nosso querer. Depende da vontade de Deus e da Sua gra\u00e7a. Entendemos que cada filho \u00e9 um grande dom, e como tal, queremos acolh\u00ea-lo com gratid\u00e3o, seja natural ou adotivo. A cada tempo, vamos discernindo e nos abrindo a essa escuta. Por isso, n\u00e3o temos uma meta, ou melhor, deixamos &#8220;a meta aberta&#8221;.<\/p>\n<p><b>7. Seu marido \u00e9 rico, professora? Como voc\u00eas conseguem sustentar tantos filhos?<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o, querido aluno, meu marido n\u00e3o \u00e9 rico. Ele \u00e9 generoso, criativo, inteligente, trabalhador e aberto \u00e0 gra\u00e7a de Deus. \u00c9 professor, assim como eu, e m\u00fasico. N\u00e3o somos de fam\u00edlia rica, e n\u00e3o temos sequer casa pr\u00f3pria. Pagamos um aluguel que leva quase metade da nossa renda familiar e com a outra metade pagamos as outras contas da vida. De fato, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil viver numa cidade grande e cara como o Rio de Janeiro, mas confiamos em Deus e o necess\u00e1rio n\u00e3o nos falta! Pelo contr\u00e1rio, atrav\u00e9s das pessoas, Deus cuida de n\u00f3s e sempre providencia mais do que precisamos. Por outro lado, n\u00f3s optamos por uma vida simples e consciente. N\u00e3o temos sobra de dinheiro, mas tamb\u00e9m n\u00e3o temos d\u00edvidas. Decidimos viver do essencial, buscando primeiro o que importa, o resto, se for para o bem, vem por acr\u00e9scimo. Cremos que, &#8220;a cada dia, basta o seu cuidado&#8221; (Mt 6,34). E \u00e9 assim que queremos educar nossos filhos: conscientes daquilo que \u00e9 essencial (e daquilo que n\u00e3o \u00e9), a cada dia. Sabendo discernir bem a realidade e a necessidade, cultivando a liberdade em rela\u00e7\u00e3o ao que \u00e9 passageiro, priorizando o que tem mais valor e n\u00e3o passa.<\/p>\n<p><b>8. Voc\u00eas v\u00e3o formar um time de futebol?<\/b><\/p>\n<p>Apesar das crian\u00e7as aqui gostarem muito de futebol, sempre digo que estamos formando uma &#8220;banda&#8221;, porque n\u00e3o tem n\u00famero fixo e sempre cabe mais um! Al\u00e9m disso, por influ\u00eancia do pai, nossos meninos t\u00eam bastante aproxima\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica. Alguns j\u00e1 tocam algum instrumento e todos cantam afinadinhos. Tem domingo que o Estev\u00e3o toca na Missa, acompanhado de nossos filhos, o que \u00e9 uma experi\u00eancia linda de viver.<\/p>\n<p><b>9. Voc\u00ea tem bab\u00e1? \/ Quem te ajuda??<\/b><\/p>\n<p>Nunca tivemos bab\u00e1. Atualmente, temos ajudante para as coisas da casa tr\u00eas vezes por semana (isso varia a cada \u00e9poca e depende de muitos fatores, j\u00e1 foi mais e j\u00e1 foi menos). Meu marido e eu nos revezamos e nos ajudamos mutuamente nos cuidados e responsabilidades com nossa fam\u00edlia. Contamos tamb\u00e9m com o apoio de familiares e amigos sempre que necess\u00e1rio. Estamos buscando ser pais em rede, aprendendo a pedir e oferecer ajuda aos demais. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel manter a sanidade mental sem a experi\u00eancia da solidariedade que gera comunidade.<\/p>\n<p><b>10. Eles brigam? \/ N\u00e3o d\u00e1 muito trabalho? \/ Voc\u00ea n\u00e3o fica muito cansada?<\/b><\/p>\n<p>Sim! Sim! Sim! Eles brigam e d\u00e1 muito trabalho e eu fico muito cansada (muito mesmo!)&#8230; e o Estev\u00e3o tamb\u00e9m. Mas vale a pena! Na verdade, eles brincam mais do que brigam e se reconciliam sempre que brigam, num constante exerc\u00edcio de fraternidade. Aprendem a perdoar e pedir perd\u00e3o. \u00c9 lindo de (vi)ver! D\u00e1 muuito trabalho, mas d\u00e1 muuuuito mais alegria! Educar \u00e9 um trabalho \u00e1rduo, mas gratificante demais. \u00c9 trabalho &#8220;artesanal&#8221; e cotidiano. Eu fico exausta muitas vezes, mas \u00e9 um cansa\u00e7o cheio de sentido e realiza\u00e7\u00e3o. Me acompanha a certeza de que o amor vale todo o sacrif\u00edcio da vida.<\/p>\n<p><b>11. Voc\u00ea trabalha (fora)?<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o mais, gra\u00e7as a Deus! Mas demorei demais para tomar essa decis\u00e3o. Impressionante como \u00e9 dif\u00edcil abrir m\u00e3o daquilo que a sociedade define como \u00fanica atividade de valor da pessoa. H\u00e1 um ano, pedi demiss\u00e3o da \u00faltima escola que trabalhei, para me dedicar de modo mais pleno \u00e0 maternidade, sem a sensa\u00e7\u00e3o constante de estar dividida, e em d\u00edvida com todos. Durante os primeiros anos da minha maternidade, eu era tamb\u00e9m professora de centenas de alunos, em duas escolas. Meu tempo em casa era dividido entre as demandas da fam\u00edlia e as dos col\u00e9gios. N\u00e3o dava tempo de saborear a vida. \u00c0s vezes, n\u00e3o dava tempo nem de pentear o cabelo ou olhar no espelho&#8230; Quando nasceu o segundo, pedi redu\u00e7\u00e3o de carga hor\u00e1ria, mas no ano seguinte, j\u00e1 estava novamente com ela completa, em uma s\u00e9rie nova. Foi quando engravidei do terceiro. Tinha a sensa\u00e7\u00e3o constante de que ia enlouquecer, mesmo assim, n\u00e3o tive coragem de desapegar da vida profissional. Quando nasceu o terceiro, foi ainda mais dif\u00edcil levar as duas miss\u00f5es, fazia &#8220;das tripas, cora\u00e7\u00e3o&#8221;, e o cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o tinha paz. O cansa\u00e7o era alucinante. Foi quando engravidei pela quarta vez, e fui tomada de inexplic\u00e1vel alegria. Agora tinha certeza: n\u00e3o ia dar para continuar naquele ritmo fren\u00e9tico de trabalho. Era a hora de sair. Aceitar e assumir isso foi libertador! E, juntamente com a not\u00edcia da nova gravidez, comuniquei que seria meu \u00faltimo ano naquele Col\u00e9gio, que eu amava muito, mas que consumia a minha vida, principalmente pela horas de trabalho em casa (com elabora\u00e7\u00e3o de apostilas e avalia\u00e7\u00f5es, e corre\u00e7\u00e3o das mesmas). Me arrependo muito de n\u00e3o ter pedido demiss\u00e3o logo ao nascimento do primeiro filho. Ainda continuei trabalhando em outra escola menor, poucas horas na semana, e quase nada de trabalho em casa. Mesmo assim, com a chegada do quinto, veio a decis\u00e3o de n\u00e3o mais trabalhar fora para poder me dedicar com mais tranquilidade \u00e0 fam\u00edlia e outros projetos pessoais, aos quais me sinto chamada.<\/p>\n<p><b>12. Sobra tempo pra voc\u00ea? Voc\u00eas conseguem descansar?<\/b><\/p>\n<p>Depende do que se quer dizer com isso. Certa vez, quando a Maria (que \u00e9 a quarta) era beb\u00ea e o mais velho ainda tinha 4 anos, uma amiga me perguntou quando ser\u00e1 que eu conseguiria descansar&#8230; No auge da minha exaust\u00e3o, respondi de prontid\u00e3o: no c\u00e9u! E rimos alto. Nessa \u00e9poca, eu brincava que os sonhos da minha vida eram uma boa noite de sono e um banho demorado (risos). Percebo que nessa cultura individualista, hedonista e egol\u00e1trica, soa como loucura (e at\u00e9 esc\u00e2ndalo!) a decis\u00e3o de n\u00e3o viver para si mesmo, mas dar a vida pelo bem dos outros. \u00c9 certo que o descanso \u00e9 necess\u00e1rio para a vida humana, at\u00e9 mesmo para que a nossa oferta de amor seja sustent\u00e1vel a longo prazo. Mas \u00e9 certo tamb\u00e9m que &#8220;o amor n\u00e3o procura o pr\u00f3prio interesse&#8221;. De fato, h\u00e1 muitos anos eu n\u00e3o vou a um sal\u00e3o de beleza e n\u00e3o fa\u00e7o uma caminhada na Lagoa ou na praia sozinha. H\u00e1 bastante tempo tamb\u00e9m n\u00e3o vemos um filme de adulto no cinema. Tamb\u00e9m n\u00e3o fa\u00e7o atividade f\u00edsica regular desde que eu estava gr\u00e1vida pela primeira vez. Ali\u00e1s, desde a primeira gesta\u00e7\u00e3o, eu sempre estou gr\u00e1vida ou amamentando, como me &#8220;definiu&#8221; um amigo. Mas h\u00e1 um ano fa\u00e7o terapia individual semanal. \u00c9 uma quest\u00e3o de escolha. Tempo \u00e9 quest\u00e3o de prioridade. Se estou no meio de uma crise de h\u00e9rnia de disco (tenho 3!), priorizo a fisioterapia e algum repouso. Se estou precisando rezar mais, dou meu jeito (at\u00e9 retiro de 8 dias eu consegui fazer uma vez, quando faltava um m\u00eas para nascer o Jos\u00e9 Pedro, que \u00e9 o terceiro). Nesses quase 9 anos do primog\u00eanito, nunca tivemos um tempo com tardes ou manh\u00e3s &#8220;livres&#8221; dos filhos, com todos na escola, por exemplo (os tr\u00eas menores n\u00e3o v\u00e3o \u00e0 escola). Estamos sempre nos revezando, como em provas ol\u00edmpicas. \u00c0s vezes, quando nossos hor\u00e1rios de compromissos extra-casa coincidem, pedimos ajuda aos amigos e familiares, que s\u00e3o nossa &#8220;rede de apoio&#8221;, por exemplo para fazermos terapia de casal. H\u00e1 quase 9 anos n\u00e3o dormimos uma noite inteira, sem interrup\u00e7\u00f5es. Mas nos acostumamos com isso, e sabemos que cada fase tem suas dores e suas alegrias. Na verdade, n\u00f3s at\u00e9 conseguimos descansar sempre que escolhemos parar e dormir logo que as crian\u00e7as dormem, quando respeitamos nosso corpo e nossa mente. Quando priorizamos o essencial e n\u00e3o nos deixamos distrair tanto, encontramos uma &#8220;justa medida&#8221; para n\u00e3o enlouquecer. A quest\u00e3o \u00e9 eleger prioridades para cada tempo e buscar formas de realiz\u00e1-las.<\/p>\n<p><b>13. Como voc\u00ea &#8220;d\u00e1 conta&#8221;?<\/b><\/p>\n<p>Essa \u00e9 a pergunta que mais me faz pensar e sempre me questiona. Ser\u00e1 que eu dou conta? O que \u00e9 dar conta? Dar conta de qu\u00ea? Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s tarefas do cotidiano, lembro-me sempre de algo que ouvi certa vez: &#8220;precisamos escolher nossas batalhas&#8221;&#8230; Acho que \u00e9 bem isso! Precisamos pedir a ajuda do Esp\u00edrito Santo para eleger as prioridades a cada dia, a cada semana, a cada tempo. Perceber as possibilidades e aproveitar as oportunidades que aparecem para que possamos &#8220;dar conta&#8221; daquilo que julgamos importante\/necess\u00e1rio. Numa cidade grande, cara e violenta como o Rio de Janeiro, realmente n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil sobreviver. Ainda mais com uma fam\u00edlia grande. \u00c9 necess\u00e1rio contar com uma rede de apoio\/criar essa rede, criar condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia, ter a humildade de reconhecer os pr\u00f3prios limites e saber pedir ajuda. Quando eu era mais centralizadora, sofria mais. Conforme fui deixando mais espa\u00e7o aos outros, especialmente ao marido, a vida foi ficando mais leve e poss\u00edvel. Ainda estou vivendo esse processo. Ou melhor, estamos! Gra\u00e7as a Deus, eu n\u00e3o estou sozinha. Nos primeiros anos da minha maternidade, eu achava que tinha que dar conta de tudo, controlar tudo, superar todos os meus limites. Resultado: quase enlouqueci! Atrav\u00e9s de um retiro de 8 dias dos Exerc\u00edcios Espirituais de Santo In\u00e1cio, Deus salvou a minha vida e restabeleceu a minha sa\u00fade mental, f\u00edsica, emocional e espiritual. Descobri que a raiz das minhas ang\u00fastias era querer assumir um papel que n\u00e3o era meu. Devolvi a Deus o lugar dEle em minha vida, em minha fam\u00edlia, e voltei a confiar nEle como filha (tinha esquecido at\u00e9 do b\u00e1sico!). Durante o retiro, pude renovar aquela experi\u00eancia grandiosa do Amor incondicional de Deus por mim, que marcou a minha hist\u00f3ria aos 15 anos. Experimentei o mesmo Amor, mas agora de modo atualizado na minha vida de esposa e m\u00e3e. E a vida foi sendo reordenada, a partir dessa rela\u00e7\u00e3o fundamental com o Amor-fonte, que nutre e sustenta todas as outras rela\u00e7\u00f5es da vida. Se me distraio dEle, vou sendo engolida pelo mar de cobran\u00e7as e ang\u00fastias&#8230; Ent\u00e3o busco levantar os olhos para Aquele que &#8220;me amou e se entregou por mim&#8221; (Gl 2,20), o qual me diz: &#8220;basta-te a minha gra\u00e7a!&#8221; (2Cor 12,9). E, quando confio na gra\u00e7a de Deus, tudo se faz novo.<\/p>\n<p><b>14. Gr\u00e1vida de novo?? Voc\u00eas n\u00e3o v\u00e3o parar de ter filhos? N\u00e3o t\u00eam TV em casa, n\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p>Estranho como algo t\u00e3o bom, bonito e natural foi se tornando incomum e at\u00e9 inc\u00f4modo. Muitas vezes me senti julgada por estar gr\u00e1vida mais uma vez&#8230; Na fam\u00edlia, no trabalho, na faculdade, no mercado, na rua e (at\u00e9) na igreja, me vi sendo for\u00e7ada a explicar o \u00f3bvio: o amor \u00e9 fecundo e a fecundidade \u00e9 algo bom; o ato sexual tamb\u00e9m tem a finalidade procriativa (al\u00e9m da unitiva); n\u00f3s somos jovens (e saud\u00e1veis) e n\u00e3o temos motivos para nos fechar ao DOM dos filhos, que s\u00e3o nosso tesouro, nossa heran\u00e7a, nossa alegria. Eles s\u00e3o um grande bem para o nosso matrim\u00f4nio! Por qu\u00ea dever\u00edamos nos fechar? Todas as vezes que o teste de gravidez deu resultado positivo, fui inundada de alegria e gratid\u00e3o! E, apesar dos in\u00fameros inc\u00f4modos pr\u00f3prios de uma gesta\u00e7\u00e3o, sempre a felicidade da gera\u00e7\u00e3o foi maior que os desconfortos. Sinto que &#8220;nasci pra isso&#8221;, e estou realizando a minha voca\u00e7\u00e3o. Sei que chegar\u00e1 um tempo em que n\u00e3o nos ser\u00e1 mais poss\u00edvel gerar um filho, ent\u00e3o aceitaremos essa realidade com resigna\u00e7\u00e3o e gratid\u00e3o pelos filhos que Ele nos concedeu. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 TV, temos em casa sim, mas ela n\u00e3o exerce influ\u00eancia em nosso projeto de vida (n\u00e3o temos canais h\u00e1 quase 3 anos!). No entanto, muitas vezes nos vemos envolvidos pelas &#8220;tecnologias da distra\u00e7\u00e3o&#8221;, que tanto tem atrapalhado a vida das pessoas e das fam\u00edlias, infelizmente. Buscamos vigiar para que o smartphone n\u00e3o nos afaste um do outro, nem de nossos filhos.<\/p>\n<p><b>15. Sua casa \u00e9 grande? Voc\u00ea consegue manter a casa organizada?<\/b><\/p>\n<p>Nossa casa n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande como gostar\u00edamos, mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o pequena. Digo que \u00e9 suficiente para nossa fam\u00edlia e tamb\u00e9m para acolher tantos amigos e familiares que nos visitam. S\u00e3o 3 quartos e 2 banheiros. Em um dos quartos, dormem as 4 crian\u00e7as, em dois beliches. O beb\u00ea dorme em nosso quarto, o que facilita muito a minha vida de lactante (Miguel ainda mama na madrugada). O outro quarto \u00e9 &#8220;multifuncional&#8221;: l\u00e1 ficam os jogos, brinquedos, TV, livros, CDs, DVDs, papelaria e outras tralhas. Esse \u00e9 tamb\u00e9m o quarto de h\u00f3spedes (quando s\u00e3o poucos&#8230; porque quando s\u00e3o muitos, se espalham por toda a casa). No fundo, n\u00e3o nos importa tanto o tamanho da casa, mas que tenha portas abertas para acolher quem quiser ou precisar chegar. Quanto \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o&#8230; a gente ainda vai chegar l\u00e1! A organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o nosso forte, mas mantemos a esperan\u00e7a de ter a casa um pouco mais organizada a cada dia. Isso nem sempre acontece, mas n\u00e3o desanimamos! Recorremos \u00e0 gra\u00e7a de Deus e seguimos, vivendo um dia de cada vez. Temos, sem d\u00favida, uma certa organiza\u00e7\u00e3o\/ordem (sem a qual seria imposs\u00edvel viver nesse mundo), mas estamos bem longe do ideal apresentado pelos programas de TV ou pelos especialistas.<br \/>\nConsidero a &#8220;ordem&#8221; uma virtude importante, mas n\u00e3o essencial (se fosse, certamente constaria nas bem-aventuran\u00e7as!), e isso me ajuda a n\u00e3o perder a paz do cora\u00e7\u00e3o em meio \u00e0 bagun\u00e7a da casa.<br \/>\nGra\u00e7a a Deus, temos alguns bons amigos que s\u00e3o bem mais avan\u00e7ados neste aspecto e, vez por outra, nos oferecem sua preciosa ajuda. E assim vamos experimentando que a vida se constr\u00f3i a muitas m\u00e3os. A casa e o cora\u00e7\u00e3o se alargam e se alegram.<\/p>\n<p><b>16. Que carro voc\u00eas t\u00eam para caber todo mundo?<\/b><\/p>\n<p>Desde a vinda da Maria, que \u00e9 a nossa quarta filha, temos um carro com 7 lugares. Ou seja, estamos no limite! Quando tivermos o pr\u00f3ximo filho, teremos que trocar de carro&#8230; Poder\u00e1 ser uma Kombi ou, quem sabe, uma Van =).<\/p>\n<p><b>17. Voc\u00ea n\u00e3o acha que j\u00e1 tem muita gente no mundo, n\u00e3o? \/ Como voc\u00eas t\u00eam coragem de ter filhos com o mundo do jeito que est\u00e1?<\/b><\/p>\n<p>Acho que o mundo tem bastante gente sim, mas isso, em si, n\u00e3o \u00e9 o grande problema, e sim a forma de se viver. Provavelmente, mesmo com 5 filhos, n\u00f3s vivemos com menos e consumimos menos do que muitas fam\u00edlias menos numerosas. A maioria das pessoas, infelizmente, vive com a consci\u00eancia &#8220;anestesiada&#8221;, ref\u00e9m de uma cultura individualista, ego\u00edsta, hedonista, consumista e irrespons\u00e1vel, na qual tudo \u00e9 &#8220;descart\u00e1vel&#8221;&#8230; (at\u00e9 mesmo as pessoas!). Portanto, n\u00e3o \u00e9 a quantidade de pessoas que prejudica o mundo, mas a qualidade das rela\u00e7\u00f5es que as pessoas estabelecem entre si e com o mundo. Acho que faltam pessoas que tenham coragem de viver de um novo modo, mais consciente, respons\u00e1vel, justo e fraterno. Faltam pessoas que assumam sua miss\u00e3o de &#8220;colaboradores de Deus&#8221;, no cuidado da nossa casa comum. Faltam pessoas que prefiram ter menos e &#8220;ser mais para os demais&#8221;. Faltam pessoas que queiram correr o risco do amor e da f\u00e9, transformando a esperan\u00e7a em realidade. Faltam pessoas que trabalhem pelo bem comum e encontrem novos caminhos\/novas solu\u00e7\u00f5es para os problemas da humanidade. Faltam pessoas que busquem primeiro o Reino de Deus e a Sua justi\u00e7a. Faltam pessoas dispostas a abrir m\u00e3o do sup\u00e9rfluo para todos tenham o necess\u00e1rio. Faltam pessoas que vivam o amor solid\u00e1rio com radicalidade. E n\u00f3s queremos educar nossos filhos para que saibam viver assim, buscando discernir a vontade de Deus e realizando-a, assumindo sua voca\u00e7\u00e3o e responsabilidade para com a renova\u00e7\u00e3o do mundo. Queremos form\u00e1-los tamb\u00e9m para a solidariedade e a transforma\u00e7\u00e3o social, para a justi\u00e7a e a promo\u00e7\u00e3o da paz. Com a ajuda de Deus, queremos despertar neles o desejo de serem instrumentos do Amor no mundo, para que todos tenham vida. E ent\u00e3o, certamente, o mundo ser\u00e1 melhor!<\/p>\n<p><b>18. E quando vem o pr\u00f3ximo?<\/b><\/p>\n<p>Fico muito feliz que essa pergunta venha sendo cada vez mais frequente&#8230; Talvez porque as pessoas estejam conseguindo aceitar melhor a nossa escolha de abertura ao DOM, sem julg\u00e1-la como absurda. E a nossa resposta \u00e9 bem simples e direta: vem quando Deus quiser!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para al\u00e9m dos coment\u00e1rios, que sempre ouvimos, sobre nossa escolha de ter tantos filhos quanto pudermos (por exemplo: &#8220;Nossa! Que coragem!&#8221;, &#8220;Voc\u00eas levam mesmo a s\u00e9rio a B\u00edblia, hein!&#8221;, &#8220;Que loucura! Ter tantos filhos nos dias de hoje&#8230;&#8221; etc), existem&#8230; <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/alegriadoamor.com\/index.php\/2018\/06\/02\/gravida-outra-vez-as-perguntas-mais-frequentes-sobre-a-minha-maternidade\/\">Continue Reading &rarr;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":141,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14,4],"tags":[19,33,34,35,36],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alegriadoamor.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/140"}],"collection":[{"href":"https:\/\/alegriadoamor.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alegriadoamor.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alegriadoamor.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alegriadoamor.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=140"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/alegriadoamor.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/140\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alegriadoamor.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/141"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alegriadoamor.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=140"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alegriadoamor.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=140"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alegriadoamor.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=140"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}