{"id":150,"date":"2018-06-20T13:57:14","date_gmt":"2018-06-20T16:57:14","guid":{"rendered":"http:\/\/alegriadoamor.com\/?p=150"},"modified":"2018-06-20T13:57:14","modified_gmt":"2018-06-20T16:57:14","slug":"namoro-tempo-de-conhecer-discernir-e-escolher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alegriadoamor.com\/index.php\/2018\/06\/20\/namoro-tempo-de-conhecer-discernir-e-escolher\/","title":{"rendered":"Namoro: tempo de conhecer, discernir e escolher"},"content":{"rendered":"<p>Quando come\u00e7amos a namorar, pensava que seria por um tempo breve, que n\u00e3o passaria de uns poucos meses e, ent\u00e3o, terminar\u00edamos. Mas, mesmo assim, achei que poderia valer a pena viver aquela experi\u00eancia, afinal o rapaz era inteligente, educado, gentil, m\u00fasico, trabalhador&#8230; e t\u00e3o bonito! Considerei que poder\u00edamos crescer um com o outro e que seria um tempo de aprendizagens para ambos. No entanto, realmente n\u00e3o vislumbrava que teria futuro um namoro com algu\u00e9m que se dizia &#8220;agn\u00f3stico&#8221;. (Ali\u00e1s, aceitar namorar com ele j\u00e1 era uma grande concess\u00e3o, porque logo ao in\u00edcio da nossa aproxima\u00e7\u00e3o, quando o Estev\u00e3o me contou que era agn\u00f3stico, eu imediatamente o enquadrei na categoria &#8220;amigos&#8221;, e justifiquei em tom de brincadeira: tenho amigos de todos os tipos!). At\u00e9 ent\u00e3o, para eu namorar, considerava imprescind\u00edvel que fosse algu\u00e9m disposto a cultivar a espiritualidade e a viv\u00eancia da f\u00e9. Ainda mais, ap\u00f3s ter namorado um crist\u00e3o cat\u00f3lico por 2 anos e ter vivido experi\u00eancias important\u00edssimas de comunh\u00e3o e crescimento espiritual com ele (e tamb\u00e9m com sua fam\u00edlia e seus amigos). Sobre este outro namoro falarei mais adiante.<\/p>\n<p>Est\u00e1vamos nas primeiras semanas de namoro e o Estev\u00e3o, sabendo da minha viv\u00eancia religiosa, mandou essa: &#8220;Para casar na Igreja Cat\u00f3lica tem fazer um curso, n\u00e9? Mesmo sendo agn\u00f3stico, quero te dizer que eu fa\u00e7o, t\u00e1?&#8221;&#8230; Fiquei um pouco constrangida com aquela declara\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o era mero &#8220;xaveco&#8221;, mas revelava uma inten\u00e7\u00e3o e uma abertura, at\u00e9 mesmo maior que a minha. \u00c9 claro que ele n\u00e3o imaginava todo o sentido do Sacramento do Matrim\u00f4nio (vulgo &#8220;casamento na Igreja&#8221;), e percebo hoje, honestamente, que nem mesmo eu tinha a dimens\u00e3o exata e a consci\u00eancia plena do seu significado. Mas, aos poucos, a gente foi se identificando nos valores fundamentais e em um mesmo prop\u00f3sito de vida. Fui percebendo nele muitas virtudes e um desejo sincero da verdade, do bem, do amor. E, conforme crescia a confian\u00e7a m\u00fatua, fomos encarando o desafio de nos manifestar um ao outro, em um verdadeiro caminho de conhecimento de si e do outro (que se aprofunda at\u00e9 hoje). Desse modo, transcorreram muitos meses de namoro (28, at\u00e9 o casamento), num constante exerc\u00edcio de abertura e acolhimento, aprendizado e crescimento, escuta e desvelamento, encontro e discernimento.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Nos conhecemos por interm\u00e9dio de um amigo querido, que ousou dar um jeito de nos apresentar, mesmo sabendo das nossas diferen\u00e7as. Foi instrumento do Alt\u00edssimo, que queria o nosso encontro. Eu, de Ribeir\u00e3o, Estev\u00e3o, de Cuiab\u00e1. Era meu \u00faltimo semestre (do ano &#8220;extra&#8221;) do curso de Pedagogia, na USP. Ele ainda estava na metade do curso de M\u00fasica. Ao ingressar naquela Universidade, ele se deixou doutrinar pelo materialismo hist\u00f3rico-filos\u00f3fico-(pseudo)cient\u00edfico que reina nas universidades p\u00fablicas, passando a declarar-se ateu e, posteriormente, assumindo-se como agn\u00f3stico. Mas permanecia um &#8220;crist\u00e3o por cultura&#8221;, como ele mesmo dizia. Enquanto isso, desde que ingressei naquela Universidade, eu dedicava a maior parte do meu tempo \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o, buscando semear &#8220;um sonho de amor para o mundo&#8221;, atrav\u00e9s do Projeto Universidades Renovadas, da RCC, do qual era coordenadora arquidiocesana quando conheci o Estev\u00e3o. Uma \u00fanica vez (mais por educa\u00e7\u00e3o) o convidei para ir \u00e0 Missa comigo e com outros amigos. Ele, educadamente, agradeceu mas recusou o convite. Qual n\u00e3o foi minha surpresa quando, na semana seguinte, ele mesmo se convidou para ir conosco. E no outro domingo, novamente. E no outro tamb\u00e9m&#8230; At\u00e9 que eu n\u00e3o me aguentei e perguntei o porqu\u00ea de estar indo \u00e0 Celebra\u00e7\u00e3o conosco h\u00e1 mais de um m\u00eas, ao que ele respondeu que era por uma experi\u00eancia &#8220;est\u00e9tica&#8221; (!!!). Claro que n\u00e3o entendi essa resposta, um tanto enigm\u00e1tica para mim, mas fiquei encantada pela sensibilidade dele quando explicou que se interessou pela beleza do rito e de toda a simbologia presente na liturgia.<\/p>\n<p>Convers\u00e1vamos bastante sobre nossas experi\u00eancias e percep\u00e7\u00f5es da realidade. \u00c0s vezes, debat\u00edamos ideias e confront\u00e1vamos nossas opini\u00f5es, mas n\u00e3o tent\u00e1vamos impor nossas verdades &#8220;goela abaixo&#8221; para o outro. Era o di\u00e1logo que nos fazia crescer e nos compreender mais profundamente, fortalecendo e revelando nossas identidades. Busc\u00e1vamos sempre conversar sobre nossos sentimentos, sobre nossa hist\u00f3ria de vida, sobre nossos projetos para o futuro. Curt\u00edamos muito ficar de bobeira alguns minutos na Pra\u00e7a do Rel\u00f3gio, depois de almo\u00e7ar no bandej\u00e3o. Eram bons momentos contempla\u00e7\u00e3o carinhosa do c\u00e9u, das nuvens, das \u00e1rvores e, principalmente, do olhar do outro. Tamb\u00e9m passeamos bastante pelos parques da cidade e pela avenida Paulista. Est\u00e1vamos sempre convivendo com amigos queridos e compartilhando uma bela pizza, boa e barata. At\u00e9 que, com quase um ano de namoro, e com o apoio dele, me mudei para o Rio, para estudar Teologia na PUC (curso que ainda n\u00e3o terminei, mas falta pouco!). E l\u00e1 se foi mais um tempo de muito aprendizado e crescimento, namorando \u00e0 dist\u00e2ncia. Quatro meses antes do nosso <a href=\"http:\/\/alegriadoamor.com\/2018\/05\/26\/casamento-real-o-nosso\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">casamento real<\/a>, o Estev\u00e3o teve uma experi\u00eancia profunda de convers\u00e3o \u00e0 F\u00e9 cat\u00f3lica (queremos escrever este relato, com mais detalhes, em outro momento).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-155\" src=\"https:\/\/alegriadoamor.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/prac3a7a-do-relc3b3gio-usp.jpg\" alt=\"pra\u00e7a do rel\u00f3gio USP\" width=\"1000\" height=\"399\" srcset=\"https:\/\/alegriadoamor.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/prac3a7a-do-relc3b3gio-usp.jpg 1000w, https:\/\/alegriadoamor.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/prac3a7a-do-relc3b3gio-usp-300x120.jpg 300w, https:\/\/alegriadoamor.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/prac3a7a-do-relc3b3gio-usp-768x306.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/p>\n<p>O namoro \u00e9, de modo geral, um tempo leve e gostoso demais. Contudo, se estamos dispostos a crescer no amor, ele sempre nos desafia e interpela, nos movendo a um rico processo de humaniza\u00e7\u00e3o e ordena\u00e7\u00e3o de nossos afetos. N\u00e3o foi t\u00e3o f\u00e1cil vencer nossos preconceitos e nos abrir um ao outro, respeitando (e valorizando!) nossas diferen\u00e7as culturais, filos\u00f3ficas, afetivas. Fomos nos deixando enamorar um pelo outro, numa experi\u00eancia de acolhimento e integra\u00e7\u00e3o das virtudes, presentes em cada um, bem como de nossas limita\u00e7\u00f5es e fragilidades. Outro grande desafio foi o amadurecimento da rela\u00e7\u00e3o e dos sentimentos, de modo que a atra\u00e7\u00e3o e a paix\u00e3o inicial abrissem espa\u00e7o \u00e0 admira\u00e7\u00e3o sincera, \u00e0 amizade real, \u00e0 serenidade e \u00e0 paz da companhia do outro, sem que deixassem de existir. Tamb\u00e9m n\u00e3o foi nada f\u00e1cil namorar \u00e0 dist\u00e2ncia durante um ano e meio, ap\u00f3s um ano de namoro &#8220;presencial&#8221; e quase cotidiano. Foi sofrido e \u00e1rduo conviver com a saudade e cultivar a fidelidade ao nosso compromisso de namorados e noivos. Mas, certamente, o maior dos desafios foi realizar o nosso discernimento vocacional, buscando, no \u00edntimo dos nossos cora\u00e7\u00f5es, a certeza daquilo que era a nossa vontade profunda, e que acreditamos ser express\u00e3o da vontade de Deus para as nossas vidas. Dizer o nosso SIM no altar foi a culmin\u00e2ncia de um exigente processo de discernimento. At\u00e9 o \u00faltimo instante, poder\u00edamos tomar outra decis\u00e3o, escolher outro caminho, escrever outra hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>A voca\u00e7\u00e3o \u00e9 DOM e TAREFA. Por isso, em nosso convite de casamento, estava escrito: &#8220;Nos escolhemos porque o Amor nos escolheu&#8221;. Foi nossa tarefa conhecer, discernir e escolher entrela\u00e7ar nossa hist\u00f3ria para sempre. Livremente nos elegemos e decidimos amar fielmente todos os dias da vida, na alegria e na tristeza. Foi tarefa nossa comprometer a vida toda um com o outro e renunciar a qualquer outra possibilidade. \u00c9 nossa tarefa permanecer no amor, sendo fi\u00e9is ao compromisso assumido e \u00e0 palavra dada. \u00c9 nossa tarefa renovar nossa decis\u00e3o de amar a cada novo dia, atualizando aquele mesmo SIM, total e definitivo, que demos um ao outro e, ambos, a Deus. \u00c9 nossa tarefa encontrar os meios de nutrir e fortalecer o nosso amor cotidiano. \u00c9 nossa tarefa n\u00e3o desistir, mesmo nos momentos mais dif\u00edceis. Entretanto, a nossa principal tarefa \u00e9 permanecer abertos \u00e0 Gra\u00e7a de Deus, que nos sustenta a cada instante. \u00c9 Ele quem nos chama ao amor e nos capacita a corresponder amando e ofertando a vida. Sem a Gra\u00e7a de Deus, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel amar at\u00e9 a morte (ali\u00e1s, nenhum bem \u00e9 poss\u00edvel). Mas, na f\u00e9, \u00e9 poss\u00edvel viver essa esperan\u00e7a. E a f\u00e9 \u00e9 DOM, a esperan\u00e7a \u00e9 DOM, o amor \u00e9 DOM. E n\u00f3s queremos acolher o DOM de Deus, nos deixando transformar e moldar por Ele, todos os dias da nossa vida. Hoje sabemos que aquele SIM n\u00e3o foi o &#8220;fim do caminho&#8221;, mas um marco vocacional, que nos impulsiona a construir a hist\u00f3ria da nossa fam\u00edlia, sendo &#8220;uma s\u00f3 carne&#8221;, ou seja, compartilhando uma mesma exist\u00eancia, no presente-futuro que assumimos juntos, em &#8220;\u00edntima comunh\u00e3o de vida e amor&#8221;, a servi\u00e7o da humanidade&#8230; O que s\u00f3 nos \u00e9 poss\u00edvel porque Ele nos amou primeiro!<\/p>\n<p>Ao final desse texto, devo dizer que, al\u00e9m do tempo espec\u00edfico do namoro com o Estev\u00e3o, em toda a minha hist\u00f3ria de vida, Deus foi me preparando para assumir o Matrim\u00f4nio como uma voca\u00e7\u00e3o. Entretanto, foi durante um namoro que tive antes, que fui &#8220;curada&#8221; do medo de casar. N\u00e3o s\u00f3 porque o Lucas \u00e9 uma pessoa muito especial, mas tamb\u00e9m porque ele pertence a uma fam\u00edlia que se tornou, para mim, uma refer\u00eancia. At\u00e9 conhecer os pais dele, eu nunca havia conhecido e convivido com uma fam\u00edlia fundada a partir da experi\u00eancia do Amor de Deus, e que buscava viver o sentido vocacional do matrim\u00f4nio e da fam\u00edlia, testemunhando a beleza do amor humano, mesmo casados h\u00e1 mais de vinte anos (na \u00e9poca). Eles foram uma grande inspira\u00e7\u00e3o para a minha vida (e s\u00e3o ainda!), tanto que os convidei para serem nossos padrinhos de casamento, tamanha import\u00e2ncia que o amor deles teve na minha hist\u00f3ria e no meu caminho vocacional. Por isso, costumo dizer que, se n\u00e3o tivesse namorado com o Lucas, n\u00e3o teria conseguido me casar com ningu\u00e9m! (rs). Gra\u00e7as a Deus, Adelina e Luiz Antonio s\u00e3o grandes testemunhas da alegria do amor nesse mundo! E esse conv\u00edvio foi realmente decisivo para mim. Al\u00e9m disso, devo dizer tamb\u00e9m que o namoro com o Lucas produziu, ainda, muitos bons frutos na minha vida. Foi atrav\u00e9s dele que tive contato com a espiritualidade inaciana e pude fazer, pela primeira vez, a experi\u00eancia dos Exerc\u00edcios Espirituais de Santo In\u00e1cio de Loyola, que me ajuda tanto desde ent\u00e3o. Foi tamb\u00e9m por influ\u00eancia dele que comecei a participar mais da vida cultural da Universidade, retomando o meu gosto por poesia e MPB. Certamente, outro fruto precioso \u00e9 a nossa amizade que perdura no tempo e que tamb\u00e9m se estendeu para tantos outros amigos.<\/p>\n<p>Com isso, quero afirmar que &#8220;um namoro que deu certo&#8221; n\u00e3o \u00e9 somente aquele que culminou no casamento, mas tamb\u00e9m aquele que gerou frutos de vida em nossa vida, que nos fez mais humanos, mais abertos a Deus e \u00e0 humanidade. Creio que eu e o Lucas terminamos o namoro na hora certa (mesmo sendo muito sofrido terminar um namoro de dois anos e tantas coisas bonitas). Terminar um namoro deve ser fruto de um discernimento. Tinha convic\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o seria bom seguir com os sentimentos descompassados como estavam. Depois de duas semanas, ele conheceu a querida Anali, com quem se casou h\u00e1 sete anos (e, carinhosamente, nos convidaram para sermos padrinhos, o que nos deixou muito felizes =). E eu conheci o Estev\u00e3o, um m\u00eas depois do t\u00e9rmino (na verdade, ele me viu pela primeira vez no dia seguinte ao t\u00e9rmino!). E \u00e9 por essas e outras que confio totalmente na Divina Provid\u00eancia e acredito que &#8220;tudo concorre para o bem dos que amam a Deus&#8221; (Rm 8,28).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando come\u00e7amos a namorar, pensava que seria por um tempo breve, que n\u00e3o passaria de uns poucos meses e, ent\u00e3o, terminar\u00edamos. 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