{"id":94,"date":"2018-05-17T00:32:52","date_gmt":"2018-05-17T03:32:52","guid":{"rendered":"https:\/\/alegriadoamor.wordpress.com\/?p=90"},"modified":"2018-05-17T00:32:52","modified_gmt":"2018-05-17T03:32:52","slug":"maternidade-real","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alegriadoamor.com\/index.php\/2018\/05\/17\/maternidade-real\/","title":{"rendered":"Maternidade Real"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\">Nunca tive uma ideia muito rom\u00e2ntica acerca da maternidade. Desde pequena, como tantas meninas, eu sonhava em ser m\u00e3e, mas intu\u00eda que a maternidade tinha sabor de sacrif\u00edcio. O amor da minha m\u00e3e por mim, certamente, era uma inspira\u00e7\u00e3o: amor intenso e forte, na fragilidade da condi\u00e7\u00e3o humana de uma mulher sem marido, e que, corajosamente, abriu m\u00e3o da carreira profissional para se entregar \u00e0 experi\u00eancia da maternidade, amando a sua filha com todas as for\u00e7as da sua exist\u00eancia. Ela conta que o sonho da vida dela era esse: ter algu\u00e9m para amar sem medidas. Ao cuidar de mim e me educar, ela tamb\u00e9m crescia e se humanizava, at\u00e9 se tornar uma gigante na arte do sacrif\u00edcio da vida cotidiana.<\/p>\n<p align=\"justify\">No meio desse caminho, ela encontrou um grande amor, ali\u00e1s, encontrou o pr\u00f3prio Amor, e se descobriu amada incondicionalmente por Ele. Isso mudou tudo. Deu um novo sentido \u00e0 sua hist\u00f3ria e \u00e0 sua maternidade. A fez entender que o amor materno \u00e9 um grande DOM que brota da fonte do Amor, aquele Amor que \u00e9 fonte de todo amor verdadeiro. Ela entendeu que o amor nos \u00e9 poss\u00edvel porque Ele nos amou primeiro. E passou a me educar nessa experi\u00eancia de f\u00e9 e confian\u00e7a no Amor, que nos amou at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias. Certa vez, ela me confessou que, embora me amasse tanto, o amor dela era limitado e imperfeito &#8211; como todo amor humano &#8211; e que s\u00f3 Deus me amava em plenitude. Eu, que era ainda crian\u00e7a, fiquei um tanto chocada com esse an\u00fancio. Mas foi, sem d\u00favida, um an\u00fancio libertador, uma boa nova que ainda hoje me ajuda a ordenar a vida.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"justify\">Minha m\u00e3e n\u00e3o \u00e9 perfeita, mas \u00e9 uma mulher admir\u00e1vel. Em meio a tantos limites, ela me ensinou &#8211; e ensina todos os dias &#8211; a ofertar a vida por amor, na busca constante por fazer a vontade de Deus. E eu, que h\u00e1 20 anos vivi uma experi\u00eancia transformadora de encontro pessoal com aquele Amor maior, que desde pequena ouvia falar, mas somente aos 15 anos conheci, escolhi fazer da minha vida uma oferta de amor e um sacrif\u00edcio de louvor \u00c0quele &#8220;que me amou e se entregou por mim&#8221; (Gl 2,20). Para viver isso, o matrim\u00f4nio \u00e9 meu caminho, a maternidade \u00e9 minha via. Essa \u00e9 a minha voca\u00e7\u00e3o, pela qual posso amar e servir a Deus e \u00e0 humanidade com todas as minhas for\u00e7as, com minha alma, de todo cora\u00e7\u00e3o&#8230; E tamb\u00e9m com o meu corpo, com minhas entranhas maternas, na minha carne, posso &#8220;completar aquilo que falta \u00e0 paix\u00e3o de Cristo&#8221; (Cl 1,24), e isso, 24 horas por dia! Com a certeza de que &#8220;se nEle sofremos, tamb\u00e9m nEle seremos glorificados&#8221; (Rm 8,17b).<\/p>\n<p align=\"justify\">Bendita seja a maternidade! Mil vezes seja bendita! Por que \u00e9 atrav\u00e9s dela que eu participo intimamente desse grande mist\u00e9rio de Amor, na oferta amorosa do meu cansa\u00e7o, do meu tempo, das minhas ren\u00fancias, dos pequenos e grandes desafios da vida em fam\u00edlia. E assim, encontro um grande sentido para todos os sofrimentos que experimento no cotidiano da exist\u00eancia: vivo a minha paix\u00e3o unida \u00e0 Paix\u00e3o de Cristo, que salva o mundo. Pelo dom da maternidade, mergulho no mist\u00e9rio da Reden\u00e7\u00e3o, unida \u00e0 <i>kenosis<\/i> do Amor que se fez homem. Na minha &#8220;maternidade real&#8221;, experimento a cada dia uma verdadeira humaniza\u00e7\u00e3o, que me aproxima e conforma ao divino, o &#8220;divino real&#8221;, aquele que n\u00e3o se apegou \u00e0 Sua condi\u00e7\u00e3o, mas livremente se entregou a n\u00f3s, se encarnou, se deixou crucificar por amor, morreu para gerar vida, se consumiu, se aniquilou, se esvaziou de si mesmo, se faz nosso alimento. E por Sua oferta livre, recebemos a Vida e a Salva\u00e7\u00e3o. Por Sua entrega, a morte foi vencida e a vida transfigurada.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ao dizer sim \u00e0 minha voca\u00e7\u00e3o, <em>livremente<\/em> escolhi abrir m\u00e3o da &#8220;liberdade&#8221; que eu tinha quando era jovem, para me tornar muito mais livre&#8230; cada dia mais livre! Porque a maternidade \u00e9 aquela bendita porta estreita pela qual saio do reino do ego\u00edsmo e entro no reino do Amor. Por sinal, esse era o grande ideal da minha juventude: me consumir e dar a vida por amor! No entanto, era muito mais teoria do que vida. Agora \u00e9 vida real (e realizada!). E que grande alegria: encontro no padecer, o para\u00edso. Sofro sim, mas por amor! Amor real, aquele que tem a carne crucificada e uma coroa feita de espinhos.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c0 exemplo de Maria, m\u00e3e de Jesus e nossa, quero dizer a cada dia o meu <i>fiat<\/i> ao Autor da Vida. Que ela nos ensine a fazer, da vida, uma fecunda obla\u00e7\u00e3o, amor em ato. Para mim, isso \u00e9 que \u00e9 liberdade real, felicidade real&#8230; O resto, creio que seja ilus\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nunca tive uma ideia muito rom\u00e2ntica acerca da maternidade. Desde pequena, como tantas meninas, eu sonhava em ser m\u00e3e, mas intu\u00eda que a maternidade tinha sabor de sacrif\u00edcio. 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