Maternidade Real

Nunca tive uma ideia muito romântica acerca da maternidade. Desde pequena, como tantas meninas, eu sonhava em ser mãe, mas intuía que a maternidade tinha sabor de sacrifício. O amor da minha mãe por mim, certamente, era uma inspiração: amor intenso e forte, na fragilidade da condição humana de uma mulher sem marido, e que, corajosamente, abriu mão da carreira profissional para se entregar à experiência da maternidade, amando a sua filha com todas as suas forças existenciais. Ela conta que o sonho da vida dela era esse: ter alguém para amar sem medidas. Ao cuidar de mim e me educar, ela também crescia e se humanizava, até se tornar uma gigante na arte do sacrifício da vida cotidiana.

No meio desse caminho, ela encontrou um grande amor, aliás, encontrou o próprio Amor, e se descobriu amada incondicionalmente por Ele. Isso mudou tudo. Deu um novo sentido à sua história e à sua maternidade. A fez entender que o amor materno é um grande DOM que brota da fonte do Amor, aquele Amor que é fonte de todo amor verdadeiro. Ela entendeu que o amor nos é possível porque Ele nos amou primeiro. E passou a me educar nessa experiência de fé e confiança no Amor, que nos amou até às últimas consequências. Certa vez, ela me confessou que, embora me amasse tanto, o amor dela era limitado e imperfeito – como todo amor humano – e que só Deus me amava em plenitude. Eu, que era ainda criança, fiquei chocada com esse anúncio. Mas foi um anúncio libertador, uma boa nova que ainda hoje me ajuda a ordenar a vida.

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